terça-feira, 22 de setembro de 2009

O mundo de todos nós

Uma mulher de coração muito sensível e com um amor incontestável, era reconhecida como mãe dos moradores de sua comunidade. A todos dedicava sua atenção e a porta de sua casa simples estava sempre aberto para quem buscasse um pouco de atenção ou, até mesmo, um prato de comida. Muitas vezes, lágrimas corriam de seus olhos, por poder oferecer uma esperança aos mais aflitos, mesmo abstendo-se de suas necessidades. Seu nome? Dona Anita.

Aos nossos olhos, limitados e acostumados aos ambientes onde vivemos, não podemos acreditar existirem outras realidades, muito diferentes aos nossos padrões e valores. Mesmo ofuscados pelo mundo onde vivemos, desenvolvemos nossas idéias e reflexões sobre justiça ou liberdade, miséria ou violência.

Como será o mundo para Dona Anita?

terça-feira, 21 de julho de 2009

A Lei da Atração. Mito ou Realidade?

Muitos já devem ter ouvido falar da Lei da Atração. De acordo com o site Lei da Atração, ela "declara simplesmente que você se torna o que você mais pensa ser. Independente da situação em que você estiver, você tem o poder de alcançar na vida o que você quiser". Quantos já devem ter tentado aplicar essa lei universal. Mas quantos conseguiram realizar seus desejos?

O Dr. Joseph Murphy escreveu em 1963 o livro entitulado The Power of Your Subconscious Mind explicando o fracasso da aplicação da Lei da Atração. Alcançar a paz de espírito, serenidade, riqueza, prosperidade e felicidade obedece o princípio fundamental da harmonia entre nossa conciência e subconsciência. Em que você realmente acredita? Você crê na felicidade e a vive como você acredita? Onde você vê a felicidade? Os sobressaltos da sua vida levam você a fortalecer a sua felicidade? A felicidade de todas as pessoas te faz feliz também? O mundo onde você vive é mergulhado em um bálsamo de felicidade? Se a resposta de sua consciência e subconsciência forem afirmativas a todas as perguntas, você é realmente feliz!

O livro traz ainda discussões sobre as curas miraculosas realizadas por Franz Anton Mesmer conhecido pelas suas idéias sobre Magnetismo ou da cura de uma paralítica tratada pelo médico Phines Parkhurst Quimby. Cita ainda muitos outros casos não só daqueles que obtiveram uma cura física mas alcançaram a realização dos seus sonhos. Claro, já ouvimos muitos relatos semelhantes, mas ainda continuamos céticos? O Dr. Joseph Murphy diria não haver dentro de você a harmonia completa para compartilhar as leis que regem o universo.

O Dr. Joseph Murphy lembra e reforça que se você realmente deseja a verdadeira felicidade e prosperidade, você também deve desejá-la ao seu próximo! E se assim for, não há o porquê a Lei da Atração falhar, afinal tudo dentro de você emana felicidade. E se todos se esforçarem para colocar em prática os valores nobres da vida, os nossos sonhos serão realidade. Não tenha dúvida!

Àqueles que ainda acreditam na Lei da Atração, vale a leitura da obra do Dr. Joseph Murphy. Você encontrará a versão em Português no endereço www.alma-da.org/poder_do_subconsciente.pdf e poderá fazer o download gratuito.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Preconceito ou ignorância?

O que representa um projeto cultural ou social com incentivo fiscal na visão de nossos executivos? Será a obscuridade em vislumbrar do impacto das ações planejadas no projeto? Projeto distante do segmento e foco de atuação da empresa?

Na tese de doutorado (FEA USP) Responsabilidade Social e a Criação de Valor para as Organizações: um Estudo Multicasos de Cláudio Antônio Pinheiro Machado cita estatísticas sobre a responsabilidade social dos EUA evidenciando melhora da performance econômica das empresas.

"as 300 maiores corporações americanas comprometidas em seguir código de conduta ética superaram 2 ou 3 vezes a performance das empresas do mesmo setor. fonte: Business and Society Review. 2000"

"faturamento das 1.000 maiores empresas americanas mostra que, num período de 10 anos, aquelas que investiram na formação de consciência ética aumentaram em 4,5 vezes o faturamento. fonte: Universidade de Defoe (US). 1999"

"a publicidade adversa de comportamentos não éticos teve impacto negativo no preço das ações em um período mínimo de 6 meses. fonte: Southwestern Louisiana (US). 2000"


O Terceiro Setor no Brasil conta com relevantes projetos comparáveis aos realizados e apoiados por conglomerados internacionais, com primorosos resultados para a nossa sociedade. E todos ganham, inclusive nossas empresas e nossos executivos.

Então, o que falta para as nossas empresas destinarem parte dos recursos que iriam obrigatoriamente para o fisco ao invés de aplicá-los em ações culturais e sociais incentivados?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Custo de doação à OSCIP

Muitas vezes, empresários e executivos questionam o custo efetivo de doações às OSCIPs efetuadas por empresas optantes pelo regime do lucro real. O cálculo é muito simples, mas recomendo estar atendo ao limites estabelecidos pelas normas vigentes com relação ao valor máximo permitido para dedução sobre o valor devido do Imposto de Renda.

A legislação atual permite que as doações sejam deduzidas até o limite de 2% do lucro operacional. O impacto real sobre o resultado financeiro do doador é um custo efetivo de 66% do lucro apurado. No exemplo da figura acima, a doação de R$20.000 resultará em um abatimento do Imposto de Renda de R$6.800 e um desembolso de R$13.200. Ou seja, a doação de R$20.000 custará R$13.200 para o doador.

O link abaixo permitirá o download de uma planilha Excel para fazer simulações das deduções das doações sobre o Imposto de Renda, comparando inclusive com as leis de incentivo fiscal como a Lei Rouanet (Artigos 18 e 26 da Lei n° 8.313/91) e a Lei do Esporte.

http://www.box.net/publico

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quanto vale ou é por kilo?

fonte: YouTube

O filme Quanto vale ou é por kilo? de Sérgio Bianchi "revela as mazelas e as contradições de um país em permanente crise de valores." É um filme muito forte e profundo onde a miséria é o combustível do Terceiro Setor. Vale a pena conferir e tirar suas conclusões.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Capital Social

Quando falamos de Capital Social referimo-nos ao valor implícito das relações de uma rede social. Enquanto o Capital Humano é produto de ações individuais em busca de aprendizado e aperfeiçoamento, o Capital Social se fundamenta nas relações entre os indivíduos. A rede social têm valor econômico e constitui relevante fator de desenvolvimento econômico. O Capital Social se fundamenta nas relações entre os "atores sociais" e as obrigações e as expectativas mútuas são os indicadores desse fator econômico.

Enquanto o Capital Humano estimula o individualismo, o Capital Social repercute favoravelmente as ações voltadas ao bem-estar comum. O respeito às normas e sansões coletivas, o acatamento às convenções de relações sociais refletem as conquistas e o progresso da sociedade. Canadá, Israel e Japão são exemplos de países que estimulam e cultivam valores expressos pelo Capital Social.

referências sobre o tema:
artigo Capital Social e Cultura: as chaves esquecidas do desenvolvimento.
autor: Bernardo Kliksberg.
artigo Prioridade: construir o capital social.
autor: Henrique Rattner.
conceito de Capital Social.
fonte: enciclopédia Wikipédia.

domingo, 22 de março de 2009

Histórias para contar. Homem de luta e esperança

Mário César, morador de Vida Nova, periferia do município de Campinas. Sua história se confunde com a de sua própria comunidade. Sua chegada à Vida Nova mudou a vida dos seus moradores. Atrás de seu jeito simples e humilde, um Homem de luta e esperança, um mobilizador de forças coletivas, um defensor de causas perdidas. Ao visitar a região, muitos contaram histórias de violência e criminalidade. Uma comunidade abandonada e esquecida, reflexo do altíssimo número de homicídios e do domínio do tráfico de drogas. O medo na região era uma rotina diária.

Hoje, quem passa por Vida Nova não pode crer no triste passado da região. E, Mário César, ao nos contar como transformou a comunidade, fala com muita emoção e parece ainda não acreditar como era Vida Nova há 10 anos atrás. Como imaginar uma comunidade de Campinas, onde nem mesmo uma ambulância entrava?

O segredo de Mário César? Anos sensibilizando e concientizando a comunidade para mudanças de seus próprios valores sociais e humanos para conquistar melhores condições de vida, exemplificado diariamente através de seu trabalho e de suas atitudes.

segunda-feira, 16 de março de 2009

A união faz a força

Embora persistam tantos problemas anunciados pela mídia em geral e ainda hajam pessoas descrentes da capacidade de transformação das regiões onde o índice de vulnerabilidade apresentam níveis preocupantes, existe uma força latente presente nessas comunidades. É um poder resultante da mobilização por objetivos comuns a todos os membros da comunidade: melhores condições de vida. Muitas de suas conquistas recentes são frutos da união e da organização da comunidade, verdadeiras armas na luta por suas reinvindicações por uma vida digna e pelo respeito aos seus valores e princípios.

Um dos maiores exemplo dessa força ocorreu nos EUA em 5 de novembro de 2008. Barack Obama, eleito o primeiro presidente afro-americano, com a maior participação dos eleitores na história americana é sem dúvida a expressão mais viva desse extraordinária poder das camadas mais humildes, mesmo para uma potência econômica mundial.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O banqueiro dos pobres

Em 1983, o economista e Prêmio Nobel da Paz, Muhammad Yunus fundou o Grameen Bank, hoje, o maior banco de microcrédito do mundo. O Grameen Bank oferece crédito para os mais pobres em Bangladesh, sem qualquer garantia. Para Yunus, o crédito é uma arma eficaz de combate à pobreza e um catalisador no desenvolvimento das condições sócio-econômicas da população marginalizada, mantidas fora da sistema bancário simplesmente por serem pobres.

Em matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo em 11 de Novembro de 2008 com a entrevista concedida por Muhammad Yunus ao jornal, o Grameen Bank iniciou com um "capital de US$27 com 42 clientes" e atualmente tem "7,5 milhões de clientes e 28 mil empregados". O banco "já concedeu mais de US$7 bilhões em empréstimos à população carente" e o "índice de inadimplência é de cerca de 3% com taxas de juros oscilando entre 8,5% e 12%". Para Yunus, o trabalho realizado pelo Grameen Bank não é filantropia, pois "todo o dinheiro emprestado vem dos depósitos".

A matéria do jornal O Estado de São Paulo termina com comentários de Yunus sobre a atual crise financeira mundial. "Segundo ele, os bancos que nunca quiseram emprestar aos pobres por temer a inadimplência, estão quebrando porque são os ricos que não estão pagando".

matéria Brasil não tem modelo efetivo para microcrédito, diz Yunus.
publicação no Caderno de Economia e Negócios de 11 de novembro de 2008.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Cultura e Desenvolvimento Econômico

Em artigo sobre a relevância dos valores culturais como um dos fatores determinantes para o desenvolvimento econômico, Lawrence Harrison coloca em evidência a inclinação de muitos economistas em acreditar ser a cultura de uma nação fator de sucesso ou fracasso de uma política econômica. Como explicar que em certos países multiculturais onde as oportunidades econômicas e os incentivos estão disponíveis para todos, algumas minorias étnicas se saem melhor do que a maior parte da população. Lawrence cita Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve Bank dos Estados Unidos. "Ele compreendeu de forma correta a importância dos fatores culturais quando declarou, logo após o colapso da economia russa no fim dos anos 1990, eu costumava pensar que o capitalismo era a natureza humana. Mas não é. O capitalismo é cultura."

"Os economistas defensores do valor da cultura para movimentar a economia apresentam exemplos óbivos como o japonês Yoshihara Kunio, escrevendo uma razão que explica o desenvolvimento do Japão é que o país possuía uma cultura adequada. Os japoneses valorizam as realizações materiais; o trabalho duro; a poupança visando o futuro; o investimento em educação; e os valores comunitários. Até mesmo Jeffrey Sachs, um cético em relação às influências culturais, reconhece o peso da cultura."

Segundo o mesmo artigo "o economista italiano Guido Tabellini empreendeu recentemente um estudo do desempenho econômico comparativo nas regiões européias, empregando dados econômicos em relação à confiança, controle sobre o próprio destino e respeito pelos outros. O resultado mostrou que os três fatores estavam positivamente correlacionados ao desenvolvimento econômico, enquanto obediência foi um dos fatores negativamente correlacionado ao desenvolvimento econômico."

Lawrence Harrison descreve no artigo ainda uma pesquisa liderada por ele denominada "A Cultura Importa" apresentando uma abordagem para formular diretrizes para uma mudança cultural progressiva. Suas descobertas revelam algumas caraterísticas chaves que afetam o desempenho econômico, entre as quais destaco:

1. "acreditar na capacidade de interferir no próprio destino mostra uma inclinação ao progresso, enquanto o fatalismo evidencia uma resistência ao progresso";

2. "viver para trabalhar é favorável ao progresso. Já trabalhar para viver é resitir ao progresso";

4. "competição: se for um meio para a excelência, é favorável ao progresso; se for uma ameaça à igualdade, prejudica o progresso";

5. "a cultura favorável ao progresso está aberta à inovação e se adequa a ela rapidamente, enquanto culturas resistentes ao progresso desconfiam de suas inovações e se adequam a elas lentamente".

Incorporar os valores culturais é vital para formulação de políticas econômicas e sociais. É compreender os valores da nação e da sociedade. É dar voz aos verdadeiros anseios do povo.

artigo Culture and Economic Development de Lawrence Harrison.
Washington, dezembro de 2006.
leia o artigo traduzido na página www.ordemlivre.org/node/330.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Fraternidade, igualdade e liberdade

"A fraternidade resume todos os deveres dos homens relativamente uns aos outros; ela significa devotamento, abnegação, torelância, benevolência, indulgência; é a caridade evangélica por excelência e a aplicação da máxima agir para com os outros como gostaríamos que os outros agissem conosco. A contrapartida é o egoísmo. A fraternidade diz cada um por todos e todos por um. O egoísmo diz cada um por si. Sendo essas duas qualidades a negação uma da outra, é tão impossível a um egoísta agir fraternalmente para com os seus semelhantes, quanto o é para um avarento ser generoso. Ora, sendo o egoísmo a praga dominante da sociedade, enquanto ele reinar dominador, o reino da verdadeira fraternidade será impossível; cada um quererá da fraternidade em seu proveito, mas não quererá fazê-lo em proveito dos outros; ou se faz, será depois de estar seguro de que não perderá nada.

Com efeito suponhamos uma sociedade de homens bastante desinteressados, bons e benevolentes para viverem, entre si, fraternalmente, não haveria entre eles nem privilégios, nem direitos excepcionais, sem o que não haveria ali fraternidade. Tratar alguém como irmão, é tratá-lo de igual para igual; é querer-lhe o que desejaria para si mesmo; num povo de irmãos, a igualdade será a conseqüência de seus sentimentos, de sua maneira de agir, e se estabelecerá pela forças das coisas. Mas qual é o inimigo da igualdade? É o orgulho. O orgulho que, por toda parte, quer primar e dominar, que vive de privilégios e de excessões, pode suportar a igualdade social, mas não a fundará jamais e a destruirá na primeira ocasião. Ora, sendo o orgulho, ele também uma das pragas da sociedade, enquanto não for destruído, oporá uma barreira ã verdadeira igualdade.

A liberdade é a filha da fraternidade e da igualdade. Vivendo os homens como imãos, com os direitos iguais, animados de um sentimento de benevolência recíproco, praticarão entre si a justiça, não procurarão nunca se fazerem mal, e não terão, conseqüentemente, nada a temer uns dos outros. A liberdade será sem perigo, porque ninguém pensará em dela abusar em prejuízo de seus semelhantes. Mas como o egoísmo que quer tudo para si, o orgulho que quer sempre dominar, dariam a mão à liberdade que os destronaria? Os inimigos da liberdade são, pois ao mesmo tempo, o egoísmo e o orgulho, como o são da fraternidade e da igualdade.

A liberdade supõe a confiança mútua; ora, não poderia haver confiança entre pessoas movidas pelo sentimento exclusivo da personalidade; não podendo se satisfazer senão às expensas de outrem, sem cessar, estão em guarda uns contra os outros. Sempre com medo de perder o que chamam seus direitos, a dominação é a condição mesma de sua existência, por isso, armarão sempre ciladas à liberdade, e a abafarão tanto tempo quanto puderem.

Todos vós que sonhais com essa idade de ouro para a Humanidade, trabalhai, antes de tudo, na base do edifício, antes de querer coroar-lhe a cumeeira; dai-lhe por base a fraternidade, mas para isso não basta decretá-la e inscrevê-la sobre sua bandeira; é preciso que ela esteja no coração dos homens e não se muda o coração dos homens com decretos. Trabalhai sem descanso para extirpar o vírus do orgulho e do egoísmo, de todos os organismos da sociedade, porque aí está a fonte de todo mal, o obstáculo real ao reino do bem. Só então os homens compreenderão os deveres e os benefícios da fraternidade."

livro Obras Póstumas
autor Allan Kardec
Editora IDE, 2006.