terça-feira, 2 de março de 2010

A estranha força do altruísmo

"Apesar dos exemplos do cotidiano, todos nós temos uma certa consciência de que devemos vencer o nosso egoísmo e que ele ocupa o pólo oposto no caminho de nossa fecilidade. Os grandes nomes da história da humanidade como Mahatma Gahndi, Albert Einstein Madre Teresa de Calcutá, Martin Luther King e tantos outros, nos fazem refletir se o ato altruísta de dar é muito maior do que o ato egoísta de receber. Parecem conhecer, no ato de altruísmo, a alegria e a felicidade que tanto buscamos. E seus exemplos de vida fortalecem os nossos sentimentos intuitivos desta verdade. Eles nos mostram que a prática altruísta provém de uma sabedoria que parece não estar acessível ao egoísta, fazendo com que o caminho inverso que eles elegeram para suas vidas se torne natural. Eles puderam reconhcer que existe uma relação íntima entre o desenvolvimento dos princípios éticos e a sabedoria. Pelos seus ensinamentos, podemos hoje reconhecer o sábio por meio do altruísmo e da bondade.

Como não temos ainda plena consciência desses conhecimentos, normalmente associamos o altruísmo à pobreza e ao sofrimento. São Francisco de Assis que, de forma altruísta, desfez-se de tudo o que tinha e passou a viver na pobreza, levam-nos, muitas vezes, a acreditar que ele renunciou a uma vida feliz pelo masoquismo do sofrimento. No entanto, é muito mais razoável acreditar que ele, depois de ter reconhecido a existência de uma realidade maior, renunciou àquilo que se tornou superficial, trocando o sofrimento do "ter" pela alegria do "ser". Trocou a ignorância do apego aos bens materiais pela sabedoria do "ser". A certa altura, percebeu que sofrimento seria permanecer nas condições de vida privilegiada em que estava anteriormente. Não seria um ato de sabedoria trocar o conforto efêmero do "ter" pela eternidade do "ser" que ele passou a reconhecer?"

livro Quem se atreve a ter certeza.
autores José Pedro Andreeta e Maria de Lourdes Andreeta.
Editora Mercuryo, 2004.